Semana de 29 de Junho a 04 de Julho

Olá, tudo bem com você?

Nessa edição do Dicas Culturais você confere o que de melhor vimos ou lemos nos últimos dias.

Cinema - As dicas de Ana Luisa são: Jean Charles, Há Tanto Tempo Que Te Amo e Intrigas de Estado.
Espetáculo - Minha dica teatral é Gloriosa.
Literatura - A dica de Valdemir Martins é
A Grande História da Evolução.

Aproveite! Desejamos uma ótima semana cultural pra você!

Sérgio Mena Barreto

PS -  Indique alguém para receber nossas dicas através do e-mail: dicasculturais@menabarreto.com.br


Teatro
(Comentários muito pessoais de Sérgio Mena Barreto)


Gloriosa



Noite de sábado, teatro praticamente lotado para assistir a Marília Pêra, que está em cartaz em São Paulo com um interessante espetáculo, em cartaz na Broadway atualmente. A platéia de ri muito. Eu não. Depois de apenas 15 minutos de espetáculo, é fácil perceber que a história aparentemente hilariante embute uma mensagem inesquecível acerca do preconceito e da necessidade humana de se sentir aceito. Gloriosa conta a incrível história verdadeira de Florence Foster Jenkins (1868-1944), uma cantora americana que lotava teatros em NY. O problema é que ela era absolutamente desafinada, e o sucesso se dava pelo fato de as pessoas pagarem pra testemunhar tal fato. Os ingressos para os recitais anuais que protagonizava no Hotel Ritz eram disputados a tapa. No meio de seu público, podiam ser reconhecidos Cole Porter e Noel Coward. Uma história e tanto, levada aos palcos por um ótimo elenco capiteneado por Marília Pêra. No final, muitos do que riam abertamente estão com lágrimas nos olhos. Uma boa lição embutida num excelente espetáculo. Vá lá!

P.S. Se você pretende assistir à peça - e  recomendo fortemente que você vá! - resista à tentação de procurar na internet acerca da história real de Florence. Mas após o espetáculo vale à pena conhecer um pouco mais acerca do universo dessa mulher.  

Serviço: Teatro Procópio Ferreira - 670 lugares - Augusta, 2823 - Cerqueira César Tel.: 3083.4475 - Quinta e sábado às 21h ; Sexta às 21h30 ; Domingo às 18h.



Escrito por Sérgio Mena Barreto às 20h36
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Cinema
(Comentários muito pessoais de Ana Luisa Oliveira)  
 


Caramelo

 

Nadine Labaki dirige e protagoniza este filme que segue os caminhos de cinco libanesas em Beirute. Quatro delas, inclusive Layal (Nadine Labaki) trabalham em um salão de beleza e tem seus compromissos e dificuldades. Layal há tempos tem um affair  com um homem casado; Nisrine (Yasmine Al Masri) vai casar mas sua insegurança é evidente. Rima (Joanna Moukarzel) é lésbica; e Jamal (Gisèle Aouad) tem pavor das marcas da idade. Vizinha do salão e amiga de todas, está a costureira Rose (Sihame Haddad), que a vida inteira cuidou de sua irmã mais velha e agora vislumbra um novo amor.

Forte elo de amizade une essas mulheres num longa de co-produção franco-libanesa que ganhou três prêmios no Festival de San Sebastian. Nadine dá um banho de interpretação e direção já que consegue segurar sentimentos que vão da dor ao romance, do riso às lágrimas. É um poema cinematográfico belíssimo com cenas deliciosas e tragicômicas. Imperdível! 

 

 

 

 


A Partida

 

O filme é dirigido por Yojiro Takita e conta a história de  Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) que toca violoncelo numa orquestra em extinção. Em busca de novo trabalho, retorna com a esposa Mika (Ryoko Hirosue) à cidade natal e consegue um emprego como um preparador de cadáveres para funerais.

Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009, A Partida trata com delicadeza o tema espinhoso da morte. É preciso entender a cultura japonesa para assimilar os rituais que acompanham uma perda em família e refletir sobre a modernidade e as tradições japonesas. É comovente ver como, pouco a pouco, Daigo começa a se aperfeiçoar suas funções e se orgulha disso para angustia da esposa. Até um pouco de humor, ainda que contido, permeia as cenas bem cuidadas e tristes. Excelente pedida!

 


Tinha Que Ser Você

 

A direção é de Joel Hopkins e o filme traz Dustin Hoffman ("A Primeira Noite de um Homem") e Emma Thompson ("Harry Potter e a Ordem da Fênix") numa história de amor maduro.  Dustin Hoffman é Harvey, que vive em Nova York e trabalha na elaboração de jingles. Compositor frustrado, seu emprego está em perigo. Emma vive a solitária Kate, que cuida da mãe e faz pesquisas em um aeroporto. Ambos se encontram casualmente e compartilham frustações.

A mão do destino age outra vez e embora as resistências existam de ambos os lados, a história parte em busca de um final feliz. Os dois protagonistas, Hoffman e Thompson foram indicados ao Globo de Ouro pelo filme. A mensagem parece rotineira mas é muito mais forte do que se possa imaginar. Buscar a saída e trazer entusiasmo e amor a uma vida sem graça é possível sim. Verifique e aplauda os dois grandes atores que comovem e fazem rir.



Escrito por Sérgio Mena Barreto às 20h08
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Literatura
(Comentários muito pessoais de Valdemir Martins) 


A Grande História da Evolução
Na trilha dos nossos ancestrais
Richard Dawkins

 

Para o brilhante biólogo inglês Richard Dawkins, 68 anos, aos genes só interessa sobreviver para serem transmitidos de uma geração a outra. Os seres vivos seriam um mero meio de transporte. Se não, de que outra forma poderia se entender por que os genomas do homem e do camundongo compartilham 80% de seus genes, apesar de o ancestral comum das duas espécies ter vivido há 60 milhões de anos? Em seu livro “A Grande História da Evolução” , lançamento da Companhia das Letras, publicado originalmente em 2004 sob o título “The ancestor's tale - A pilgrimage to the dawn of life” (O conto do ancestral - Uma peregrinação à aurora da vida), Dawkins encontrou uma forma de mostrar as semelhanças que guardamos com todos os seres vivos. Ele compôs um painel retroativo da história da vida. Começa no homem e vai passando por nossos principais ancestrais, até chegar ao ancestral universal comum - que fica na base da árvore da vida imaginada por Charles Darwin, há 150 anos, quando concluiu o cientificamente consagrado  “A origem das espécies”, com a teoria da origem e da evolução das espécies vivas, até hoje não contestada em seu fundamento.

“A grande história da evolução” trata da evolução das espécies no sentido correto de transformação e não de melhoria. É uma peregrinação ao longo da árvore genealógica da vida. Partindo de onde estamos hoje, passamos por quarenta entroncamentos onde nos deparamos com ancestrais e peregrinos que vêm de outros ramos. O ponto de chegada situa-se há 4 bilhões de anos, na origem da vida. Ao longo do trajeto, peregrinos contam suas histórias e descortinam as maravilhas da diversidade biológica que habita este planeta e os mistérios da evolução que ainda hoje desafiam biólogos. O humano ancestral “Little Foot” investiga como surgiu a possibilidade de andarmos sobre dois pés; o gibão ajuda a entender por que não temos que fazer calças com um furo para a cauda; o camundongo deixa claro que o que torna um organismo diferente do outro não são exatamente os genes, mas como sua atividade é regulada; castores explicam o conceito de fenótipo estendido, em que a represa é uma extensão do próprio castor; e o gafanhoto discute se existem raças.

A paisagem que se descortina durante a viagem expõe uma amostra da diversidade da natureza e também explora como entendê-la. O leitor chega ao fim do percurso maravilhado e enriquecido com novas ideias e reflexões. Uma enciclopédia da vida para ler, reler e consultar. Segundo a revista Época, “Há 400 milhões de anos, os continentes eram mortos. Vida só havia nos mares, onde reinavam os tubarões, máquinas biológicas de matar cujo projeto é tão perfeito que resiste inalterado. Antes dos tubarões, o domínio dos oceanos era das águas-vivas. Antes delas, era das algas, surgidas há 2,5 bilhões de anos. As formas de vida mais antigas são as bactérias. Têm mais de 3 bilhões de anos. Talvez a única vantagem dos seres humanos sobre as bactérias seja mais um trunfo de Dawkins: não se sabe de uma bactéria que tenha escrito uma história tão fascinante.” Ou seja, um fascinante livro enciclopédico, mas que compensa a leitura, pois é um agradável, brilhante e incontestável passeio por 3 bilhões de anos.

Ateu radical e festivo, Dawkins alcançou fama em 1976, ao publicar “O gene egoísta”. Professor aposentado da cadeira de Divulgação Científica da Universidade de Oxford, Dawkins é um defensor ferrenho da imparcialidade absoluta dos genes. Há dois anos, lançou seu mais polêmico livro “Deus: um Delírio”, onde tenta provar, através de fatos reais e históricos, a inexistência de Deus. Seus principais questionamentos: as matanças cristãs em nome de Deus nas Cruzadas; o massacre de judeus, ciganos e deficientes durante a Inquisição católica e repetido pelos nazistas; os assassinatos e atentados terroristas islâmicos em nome de Deus; a exploração financeira de necessitados e desesperados pelos líderes evangélicos, também em nome de Deus, entre outros fatos por ele comprovados. 

A Grande História da Evolução, de Richard Dawkins, Companhia das Letras, primeira edição, 2009, 792 páginas. R$ 59,00. Nos sites da Saraiva e da Cultura: R$ 47,20; no site da Livraria da Travessa (RJ) R$ 46,61.


O boletim Dicas Culturais não é patrocinado, nem atuamos na área cultural. Não há interesse financeiro algum em editá-lo, a não ser a divulgação da boa cultura. O boletim Dicas Culturais pode ser reproduzido sem limites e sem autorização, desde que sejam mantidas suas características originais e citada a fonte. 


  



Escrito por Sérgio Mena Barreto às 19h46
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