De 08 a 18 de Dezembro



Olá, tudo bem com você?

Nessa edição do Dicas Culturais você confere o que de melhor vimos ou lemos nos últimos dias.

Cinema - As dicas de Ana Luisa são: Queime Depois de Le, Vicky Cristina Barcelona e Romance.
Literatura - Valdemir Martins indica O Tigre Branco.
Espetáculo - Minha dica é Cine - Teatro Limite.

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Aproveite! Desejamos uma ótima semana cultural pra você!

Sérgio Mena Barreto

PS -  O último Dicas Culturais do ano será publicado nessa sexta, 19, retornando somente dia 17 de Janeiro.



Teatro
(Comentários muito pessoais de Sérgio Mena Barreto)



Cine - Teatro Limite


A peça se passa no Rio de Janeiro dos anos 1940, e conta a história de um jovem desempregadoque  escreve um filme musical com personagens inspirados em sua família: sua mãe, uma típica dona-de-casa, é convertida numa ex-vedete; seu pai, machista e repressor, vira um nazista. É como se ele fugisse de sua realidade dura, colocando um pouco de "glamour" em sua vida. Há citações ao Brasil de  Getúlio Vargas, como o  personagem Totorito, que é uma alusão ao maior astro da época, Oscarito.

Os ótimos atores aliam humor e um tanto de melancolia inspirada, não por acaso, no filme "Limite" (1930), de Mário Peixoto, segundo o autor. O espetáculo conta ainda com a co-direção de Sergio Módena, que também assina os números musicais. Vale a pena!

Serviços: Sesc Consolação - Teatro  Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245,  Tel.:3234-3000. . Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 19h. De R$ 5 a R$ 20.  Até 14/12



Espetáculos Recomendados

 

 



Categoria: TEATRO
Escrito por Sérgio Mena Barreto às 12h51
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Cinema
(Comentários muito pessoais de Ana Luisa Oliveira)

 




Queime Depois de Ler



Dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen (de "Onde os Fracos não Têm Vez"), esta sátira traz Cox (John Malkovich) como um agente da CIA que acaba de receber o bilhete azul por ser considerado alcoolatra. Revoltado, ele resolve escrever suas memórias e revelar segredos da agência. Sua mulher Katie (Tilda Swinton) que tem um caso antigo com o agente Harry Pfarrer  (George Clooney) rouba o CD com os arquivos para usar contra Ozzy no processo de divórcio. Por azar, o material vai parar nas mãos de Linda (Frances McDormand) e Chad (Brad Pitt), dois atrapalhados instrutores de uma academia de ginástica que querem faturar uma grana com as informações.

Comédia com cara de espionagem, o filme faz uma critica bem humorada das trapalhadas da CIA e traz o lado negro que todo mundo tem e do que as pessoas fazem por sexo e dinheiro, sem sofrer com problemas de consciência.Discute-se o culto ao corpo, o sonho das cirurgias plásticas e os encontros virtuais em sites de relacionamento. Divertidíssimo, vale o ingresso!



Vicky Cristina Barcelona

 

Quem dirige é Woody Allen num cenário europeu, exatamente na Espanha, na linda Barcelona.  Duas amigas americanas - a careta e organizada Vicky (Rebecca Hall) e a descolada maluquete Cristina (Scarlett Johansson) - viajam em férias de verão para a cidade espanhola. Lá se enrolam com o pintor hedonista Juan Antonio (Javier Bardem de Onde os Fracos Não Têm Vez), típico latin lover charmoso e com a ex-mulher dele, a linda e louca de pedra Maria Elena (Penélope Cruz). Forma-se um triangulo amoroso e acontece o tão falado beijo lésbico entre Scarlett Johansson e Penélope Cruz.

A prefeitura da cidade de Barcelona investiu no filme como forma de divulgar as belezas locais. Mas o foco é sempre a vida burguesa de pessoas que circulam no mundo das artes. Os atores dão um show de interpretação e não se perde um filme de Woody Allen. Nem que seja para dizer: "não gostei". Eu adorei!



Romence


 

Filme dirigido por Guel Arraes que também responde pelo roteiro junto com Jorge Furtado. É a história de dois atores que se envolvem emocionalmente quando contracenam numa peça teatral baseada em Tristão E Isolda. Ana (Letícia Sabatella) e Pedro (Wagner Moura vivem na paulicéia desvairada e o romance segue tranqüilo até a chegada de Danilo (José Wilker), produtor de TV, que convida Ana para atuar em novelas. O sucesso da atriz é inevitável, provocando ciúmes e incompreensão por parte de Pedro, que passa a desconfiar de Ana. No elenco também Andréa Beltrão e Marco Nanini, além de Vladimir Brichta (Orlando) que vem balançar o coração da protagonista.

Realidade de muitos atores, o teatro fica em São Paulo, a emissora de TV, no Rio. Além da geografia, o ciúme é um veneno conhecido e com o sucesso na TV, Ana leva grande público ao teatro.Sentimentos são o foco principal do filme e a gente se comove. Comédia, drama, romance se misturam de forma harmoniosa e o resultado é muito gostoso e divertido. O elenco global garante bons momentos. Aposte! 



Categoria: CINEMA
Escrito por Sérgio Mena Barreto às 12h19
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Literatura
(Comentários muito pessoais de Valdemir Martins)
 


O Tigre Branco
Aravind Adiga



Fala-se - e escreve-se - muito sobre os países emergentes na mídia. E dentre eles, o de maior destaque é a Índia, imenso e tradicional país do ocidente asiático. Assim como no Brasil ou na Rússia, ou mesmo no México, a miséria, a ignorância e a corrupção estão impregnados na sua história. Mas que importância tem isso face ao desenvolvimento econômico e tecnológico de um país emergente como a Índia? Respondo: a força e os interesses dos grupos dominantes mantêm o status quo indiano para aumentar ou manter seu poder. E é isto que o estreante e desconhecido escritor Aravind Adiga denuncia neste romance único, diferenciado e cheio de humor negro, ironia e realismo cruel, abominável e inescrupuloso. Em "O Tigre Branco" a Índia de Adiga desencanta e brutaliza a imagem da exótica pátria dos sáris coloridos, da ioga e da elevação espiritual, por mais força e tradição que tenham seus gurus ou líderes iluminados como Ghandhi. A corrupção, por exemplo, escorre entre as letras. Sua ficção é real - por mais incongruente que isto possa parecer - extraída da mais honesta realidade de um país dividido socialmente entre o norte da Escuridão, onde um povo quase animal nasce, vive e morre às margens do lodo do Ganges, e o sul da Luz, do desenvolvimento calcado na exploração da miséria e da ignorância. Com Adiga, desmitifica-se e desmistifica-se a Índia: o glamour sobre o brejo.

Numa história de forte ironia e repugnante sarcasmo, o protagonista Balram Halwai relata o trajeto bastante inusitado que percorreu para subir na vida e conseguir se tornar alguém importante no cenário nacional: assassinar e roubar seu patrão. Em cartas dirigidas ao primeiro-ministro chinês, Balram - ou Munna, como era chamado quando menino - revela uma visão crítica aguçada da sociedade indiana e do mundo contemporâneo, e justifica seu crime classificando-o como um ato de puro empreendedorismo. Com cinismo, ele desmonta o mecanismo da própria ascensão social. O leitor vai se surpreender a cada passo do primoroso romance de estréia do jovem autor indiano Aravind Adiga, vencedor do Man Booker Prize 2008, um dos maiores prêmios mundiais do meio editorial. Não sem motivo, "O Tigre Branco" foi considerado pelos jurados um livro de imenso valor literário e extremamente original, por apresentar aspectos da Índia normalmente ignorados e personagens que revelam um lado humano desconcertante.

Tigre branco é um animal típico do país, raro por nascer um a cada geração, como um albino. O  protagonista Balram Halwai é assim designado por sua família e amigos por ser, desde pequeno, uma pessoa diferenciada em sua casta. E ele próprio descobre e assume sua identidade predadora ao visitar conhecer a fera num zoo local. Como escreveu a revista Veja, "Aravind Adiga constrói um personagem sem caráter, que se torna símbolo extremo de um impulso selvagem de liberdade. Um alerta para os que vivem na luz."

Segundo Florência Costa, correspondente de O Globo em Nova Déli, "A Índia que Adiga mostra é feia, inescrupulosa, escura como os apagões diários de horas a fio que atormentam a vida dos indianos nas metrópoles. Muito distante do glamour sugerido na propaganda "a Índia que brilha", que ganhou o mundo há dois anos."  Aravind Adiga nasceu em Madras, na Índia, em 1974 e, aos 34 anos, escreve sobre o que realmente conhece. Foi correspondente da revista Time na Austrália e Londres. É articulista do Financial Times, do The Independent e do Sunday. Atualmente vive e trabalha em Bombaim.

O Tigre Branco, de Aravind Adiga, Editora Nova Fronteira, 2008, primeira edição, 256 páginas. Preço médio R$ 34,90. Nos sites das livrarias Saraiva e Siciliano: R$ 25,80; Na Livraria da Travessa (RJ) R$ 27,57


O boletim Dicas Culturais não é patrocinado, nem atuamos na área cultural. Não há interesse financeiro algum em editá-lo, a não ser a divulgação da boa cultura. O boletim Dicas Culturais pode ser reproduzido sem limites e sem autorização, desde que sejam mantidas suas características originais e citada a fonte. 




Categoria: CINEMA
Escrito por Sérgio Mena Barreto às 11h51
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